Clarice Lispector
^^
Todas as postagens que possuem marcadores "Eu" ou "Desabafo" são de minha autoria.Caso haja textos de outros eu creditarei.Atenciosamente Be@triz S@nches B@lbino
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quarta-feira, 9 de março de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Clarice Lisperctor
"Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesmo. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade, mas estou preso dentro de mim." - Clarice Lispector
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Clarisse Lisperctor
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Citações
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
@mor
"O tempo é agora,quando juntos somos eternos.
Feitos de carne,sangue e desejo.
O nosso reflexo é um só e ele está
mergulhado na eternidade.
Assim como nossas almas imortais"
KeK
sábado, 13 de novembro de 2010
"De quantas graças tinha, a Natureza"
Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.
Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura."
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.
Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura."
[ Luis de Camões ]
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Minha heroína
"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."
(Frida Kahlo)
Citações
"A realidade é que não te amo com meus olhos que descobrem em ti mil falhas, mas com meu coração, que ama o que os olhos desprezam."
(William Shakespeare)
sábado, 23 de outubro de 2010
Mulher ao espelho - Cecília Meireles
Hoje que seja esta ou aquela,
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
(Cecília Meireles)
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
O PRIMEIRO BEIJO
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
- Sim, já beijei antes uma mulher.
- Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...
Ele se tornara homem.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
- Sim, já beijei antes uma mulher.
- Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...
Ele se tornara homem.
(Clarice Lispector)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Autopsicografia_Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoac
terça-feira, 25 de maio de 2010
O sonho acabou, ou acabaram-se os sonhadores?
O sonho acabou, ou acabaram-se os sonhadores?
Eu tive um pesadelo.
Era um circo.
Eu andava numa corda rígida, dita bamba, mas dura.
Eu andava numa corda dura, dita rígida, mas bamba.
Eu andava numa corda bamba, dita dura e rígida.
Sinto o Golpe, tapinhas nas Costas, Sílvia minha tia que eu não via
Desde 64 naquela despedida do seu Goulart, Me disse :
"Você tem que ir lá em casa pra ver um troço!”
Mas o que era o troço, ela não Médice
Chegamos fomos até o porão, escuro e úmido
Vejo uma imensa Garrafa azul, dentro um Castelo todo Branco
Um Geiser borbulhante e uma frondosa Figueira rodeada de cavalos
Nos galhos da Figueira vários ninhos de pássaros, talvez tucanos
No chão vária casas de João-de-barro afaveladas
Adoto um tom Alberto Roberto boquiaberto e pergunto:
POR QUÊ TITIA, ESSA GARRAFAZUL NO SEU PORÃO?
SE ESSES OVOS DE TUCANOLOS CHOCAREM-SE A SI PÓPRIOS
E ESTE GEISEL EXPOLODIR SERÁ UM PÃODEMÔNIO.
Titia percebeu que eu a estava cutucando com vara culta
Ficou Pau-de-arara comigo
Abriu sua capanga e enfiou várias balas extraforte na minha boca, enquanto falava: “QUÉ UM DROPS!?!?”
AÍ 1
AÍ 2
AÍ 3
AÍ 4
AÍ 5!!!!!!
Foi uma tortura!
Cuspi tudo no chão
Ninguém manda na minha boca titia, e se eu quiser um drops tem que ser
De Anis, tia! ANIS, TIA! ANIS TIAAAAAAA!
DIRETAS JÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!
Acordei
Estamos numa democracia
Mas democracia, no Brasil, poderia ser escrita com dois esses
Tantos os erros democrássicos que cometemos
Só de pensar, fico branco como Neves
Trancado no hospital, na sala de cirurgia
Piiiiiiiiiiiiiiiii Apendicite?
Não quero arrumar Sarney pra me coçar
Mas tudo se Collore daltonicamente na minha frente e fica Roxo!
Ih tá mar, Ih tá pior
FHCinzas neoliberais privatizadoras de dúvidas óbvias uLulantes
Rodrigueanas, Shakespeareanas, anos após anos
É um verdadeiro ânus de eleição!!!!
Já não sei quem é de direita, de esquerda ou de centro.
Tem gente que é de centro que cai para esquerda olhando para direita
Tem esquerdista que vai pro centro caindo pra direita
Eu não sei o que eu faço
Se eu adianto os laterais, coloco um líbero
Se o Robinho tem que entrar no primeiro tempo
Se Roberto Carlos precisa realmente arrumar as meias num momento crucial
Se o Ronaldo parece um Romário obeso na banheira
Se eu cruzo e eu mesmo cabeceio
Se vou pras cabeças, se dou cabeçada,
É, dou cabeçada sim!
E cabeceio italiano fascista com tatuagem nazista
Que chama minha mãe e minha irmã de terrorista
Mesmo que eu me Zidane todo, mas que se dane!
O Brasil Zidanou na Copa e o Cafu deu o que tinha que dar
E eu não estou mudando de assunto não
Futebol, também ajuda a desviar a atenção
Não é engraçado que em todo ano de eleição, ou melhor, de Copa do Mundo
Todo brasileiro é um técnico da seleção brasileira?
Os brasileiros deveriam ser técnicos da situação brasileira, isso sim!
Todo mundo fala que não tem em quem votar
Sem opção, todo mundo se sente nulo
Se eu votar nesse, eu vou tá nulo
Se eu votar naquele eu vou tá nulo
Se eu votar naquilo eu vou tá nulo
Mas eu vou estar mais nulo se eu votar nulo!
Eu me omito, repito, me omito
Tiro o poder do rito
Calo
Não falo, impotente
Não grito
O voto é obrigatório, não deveria ser, mais é
Um erro democrássico
O voto é secreto, deveria ser, mas não é
Outro erro democrássico
Nós deveríamos escolher nossos governantes, como se fosse possível
escolher por voto direto a seleção brasileira de futebol.
Pois aí teríamos debates em todas as esquinas, fórum nos bares, praias,
supermercados, em todos os lugares pessoas trocariam opiniões e barrariam todos os pernas de pau, ou melhor, caras de pau que assolam nossa política.
Todos estariam interessados em ganhar o jogo, marcar em cima, não aceitar jogadas escusas, acompanhar e fazer substituições nos momentos certos.
E quem sabe, conseguir deixar mais produtivo esse terreno às vezes latifúndio
na nossa poli, polititi, polititititi, politititititititititititi, polititica.
E aproveitando que estamos nessa arena sem ARENA e MDB
Deixo um PS PSIU!!! Para todo o pessoal do
PSOL, PV, PP, PPB, PL, PMDB, PFL, PSDB, PTB, PC, PCB, PC do B,
PT e todos os outros partidos repartidos do Brasil:
Vão pra PQP se vocês não vêem que o país só irá crescer com ARTE, EDUCAÇÃO, SAÚDE, DISTRIBUIÇÃO DE RENDA MAIS JUSTA, UMA JUSTIÇA AJUSTADA E JUSTICEIRA, CONTROLE DE NATALIDADE, UMA POLÍCIA PREPARADA E DIGNA DE RESPEITO, IMPOSTOS COERENTES e tantas outras coisas que se a sociedade se organizar, poderá começar uma efetiva e afetiva mudança!
O SONHO ACABOU, OU ACABARAM-SE OS SONHADORES?
Igor Contrim
Eu tive um pesadelo.
Era um circo.
Eu andava numa corda rígida, dita bamba, mas dura.
Eu andava numa corda dura, dita rígida, mas bamba.
Eu andava numa corda bamba, dita dura e rígida.
Sinto o Golpe, tapinhas nas Costas, Sílvia minha tia que eu não via
Desde 64 naquela despedida do seu Goulart, Me disse :
"Você tem que ir lá em casa pra ver um troço!”
Mas o que era o troço, ela não Médice
Chegamos fomos até o porão, escuro e úmido
Vejo uma imensa Garrafa azul, dentro um Castelo todo Branco
Um Geiser borbulhante e uma frondosa Figueira rodeada de cavalos
Nos galhos da Figueira vários ninhos de pássaros, talvez tucanos
No chão vária casas de João-de-barro afaveladas
Adoto um tom Alberto Roberto boquiaberto e pergunto:
POR QUÊ TITIA, ESSA GARRAFAZUL NO SEU PORÃO?
SE ESSES OVOS DE TUCANOLOS CHOCAREM-SE A SI PÓPRIOS
E ESTE GEISEL EXPOLODIR SERÁ UM PÃODEMÔNIO.
Titia percebeu que eu a estava cutucando com vara culta
Ficou Pau-de-arara comigo
Abriu sua capanga e enfiou várias balas extraforte na minha boca, enquanto falava: “QUÉ UM DROPS!?!?”
AÍ 1
AÍ 2
AÍ 3
AÍ 4
AÍ 5!!!!!!
Foi uma tortura!
Cuspi tudo no chão
Ninguém manda na minha boca titia, e se eu quiser um drops tem que ser
De Anis, tia! ANIS, TIA! ANIS TIAAAAAAA!
DIRETAS JÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!
Acordei
Estamos numa democracia
Mas democracia, no Brasil, poderia ser escrita com dois esses
Tantos os erros democrássicos que cometemos
Só de pensar, fico branco como Neves
Trancado no hospital, na sala de cirurgia
Piiiiiiiiiiiiiiiii Apendicite?
Não quero arrumar Sarney pra me coçar
Mas tudo se Collore daltonicamente na minha frente e fica Roxo!
Ih tá mar, Ih tá pior
FHCinzas neoliberais privatizadoras de dúvidas óbvias uLulantes
Rodrigueanas, Shakespeareanas, anos após anos
É um verdadeiro ânus de eleição!!!!
Já não sei quem é de direita, de esquerda ou de centro.
Tem gente que é de centro que cai para esquerda olhando para direita
Tem esquerdista que vai pro centro caindo pra direita
Eu não sei o que eu faço
Se eu adianto os laterais, coloco um líbero
Se o Robinho tem que entrar no primeiro tempo
Se Roberto Carlos precisa realmente arrumar as meias num momento crucial
Se o Ronaldo parece um Romário obeso na banheira
Se eu cruzo e eu mesmo cabeceio
Se vou pras cabeças, se dou cabeçada,
É, dou cabeçada sim!
E cabeceio italiano fascista com tatuagem nazista
Que chama minha mãe e minha irmã de terrorista
Mesmo que eu me Zidane todo, mas que se dane!
O Brasil Zidanou na Copa e o Cafu deu o que tinha que dar
E eu não estou mudando de assunto não
Futebol, também ajuda a desviar a atenção
Não é engraçado que em todo ano de eleição, ou melhor, de Copa do Mundo
Todo brasileiro é um técnico da seleção brasileira?
Os brasileiros deveriam ser técnicos da situação brasileira, isso sim!
Todo mundo fala que não tem em quem votar
Sem opção, todo mundo se sente nulo
Se eu votar nesse, eu vou tá nulo
Se eu votar naquele eu vou tá nulo
Se eu votar naquilo eu vou tá nulo
Mas eu vou estar mais nulo se eu votar nulo!
Eu me omito, repito, me omito
Tiro o poder do rito
Calo
Não falo, impotente
Não grito
O voto é obrigatório, não deveria ser, mais é
Um erro democrássico
O voto é secreto, deveria ser, mas não é
Outro erro democrássico
Nós deveríamos escolher nossos governantes, como se fosse possível
escolher por voto direto a seleção brasileira de futebol.
Pois aí teríamos debates em todas as esquinas, fórum nos bares, praias,
supermercados, em todos os lugares pessoas trocariam opiniões e barrariam todos os pernas de pau, ou melhor, caras de pau que assolam nossa política.
Todos estariam interessados em ganhar o jogo, marcar em cima, não aceitar jogadas escusas, acompanhar e fazer substituições nos momentos certos.
E quem sabe, conseguir deixar mais produtivo esse terreno às vezes latifúndio
na nossa poli, polititi, polititititi, politititititititititititi, polititica.
E aproveitando que estamos nessa arena sem ARENA e MDB
Deixo um PS PSIU!!! Para todo o pessoal do
PSOL, PV, PP, PPB, PL, PMDB, PFL, PSDB, PTB, PC, PCB, PC do B,
PT e todos os outros partidos repartidos do Brasil:
Vão pra PQP se vocês não vêem que o país só irá crescer com ARTE, EDUCAÇÃO, SAÚDE, DISTRIBUIÇÃO DE RENDA MAIS JUSTA, UMA JUSTIÇA AJUSTADA E JUSTICEIRA, CONTROLE DE NATALIDADE, UMA POLÍCIA PREPARADA E DIGNA DE RESPEITO, IMPOSTOS COERENTES e tantas outras coisas que se a sociedade se organizar, poderá começar uma efetiva e afetiva mudança!
O SONHO ACABOU, OU ACABARAM-SE OS SONHADORES?
Igor Contrim
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